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PUBLICADA EM 29/09/2014

Carlos Prado - 40 anos de relação com o Ceará

Por proposição do deputado estadual Tin Gomes (PHS), o empresário receberá nos próximos dias o título de cidadão cearense

O ano de 2013 é particularmente importante para o empresário e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Carlos Prado, hoje um dos maiores empresários do ramo do agronegócio brasileiro. Nascido em Marília, a 450 quilômetros de São Paulo, em fevereiro de 1941, o terceiro dos sete filhos do agricultor João Horta do Prado e de Lupérsia Bernandes Prado comemora os 40 anos de sua presença no Ceará quando aqui fundou, em 13 de agosto de 1973, a Cemag – Ceará Máquinas Agrícolas Ltda., primeiro passo de uma trajetória que o tornou cearense de coração. Na esteira dessa relação, surge em 1983 a Itaueira Agropecuária S/A,  segunda maior produtora de melão do Brasil.

No ano em que celebra as datas fechadas de fundação das duas empresas instaladas no Ceará, um fato marcará definitivamente a ligação de Carlos Prado com o nosso estado. Por proposição do deputado estadual Tin Gomes (PHS), ele receberá nos próximos dias o título de cidadão cearense. "Recebo com honra muito grande. Quando você nasce em uma região, isso independe de sua vontade. Mas quando escolhe onde vai viver é diferente. E se você pegar 72 anos da minha vida e tirar 40, sobram 32. Então, 40 anos de vida adulta eu passei aqui. E só 11 anos após completar 21 anos (maioridade) é que eu passei fora do Ceará. Toda uma vida passada aqui. E um título como este não se pede, alguém viu alguma coisa."

Com seis filhos e 13 netos, Carlos Prado brinca e diz que está "quase desempregado pelos filhos" na condução das empresas. Isso não quer dizer, no entanto, que pense em se aposentar. Para quem colocou como meta chegar aos 130 anos, nada é impossível, principalmente a partir do seu histórico pessoal marcado pelo interesse constante pelo empreendedorismo. Para que o leitor entenda um pouco mais essa inquietação, é preciso voltar no tempo e conhecer as raízes de Carlos Prado a partir de sua infância.

"Minha família vivenciou momentos de altos e baixos períodos, com meu pai tendo incursões na agricultura e no comércio." A inquietação, percebe-se logo, foi herdada do pai João Horta do Prado, que por necessidade, aliada ao perfil meio nômade, não gostava de ficar parado, e estava sempre em busca de melhores condições de trabalho.

Foi assim que aos sete anos Carlos Prado, já em Rolândia (PR), teve a primeira experiência de trabalho. Não porque o pai quisesse. "Eu pedia dinheiro e ele não me dava. Então, fui trabalhar." Começa aí uma história interessante. É que, em frente da casa onde a família morava, havia uma loja de móveis. Carlos Prado se ofereceu para trabalhar, mas o dono não quis lhe dar emprego porque ele era muito criança. "Ficava então rodando a loja diariamente e, de vez em quando, o dono mandava eu fazer uma coisinha ou outra. Ao final de três meses, perguntou o que eu estava precisando, e comprou para mim um par de sapatos. Dada a minha insistência, acabou me aceitando na loja, mesmo sem eu saber fazer nada. Com o tempo, fui aprendendo", conta.

De Rolândia, a família se transferiu para Presidente Prudente e depois para Assis, municípios do interior de São Paulo. Em todos, Carlos Prado nunca se aquietava. Na primeira cidade, por exemplo, arranjou emprego de bói no colégio de freiras onde as irmãs mais velhas estudavam. A vontade de trabalhar, no entanto, nunca impediu o estudo. Em Assis, onde o pai se estabeleceu em um comércio de roupas, chegou a trabalhar varrendo um escritório de contabilidade. Com o tempo, aprendeu a lidar com o assunto e exerceu a atividade por um determinado período.

Ficou em Assis até os 24 anos. Já tinha concluído o aprendizado em contabilidade e abriu um escritório de reorganização de empresas. Só que, no escritório, seu tempo era parcial, porque na época passou em concurso para o Banco do Brasil (BB). Antes do banco, tinha trabalhado na Secretaria de Agricultura de São Paulo. "Eram três atividades: BB, escritório e estudo." A passagem bancária ocorreu na mesma época em que se casa e tem o primeiro filho. "Meu sogro achou que a filha estava com o futuro garantido por ter se casado com um bancário, e logo do Banco do Brasil. Mas dois anos depois eu sai. Acho que foi uma decepção para ele." Carlos Prado reconhece que poderia ter parado por ali. Mas o que o levou a arriscar tanto?: "As oportunidades vão surgindo, e se você começa a empreender alguma coisa em sua vida o caminho se torna mais fácil".

A iniciativa privada

O desligamento do Banco do Brasil, porém, não foi em vão. Enquanto estava por lá, passou em concurso para agente fiscal do Ministério da Fazenda. Por ironia do destino, as opções de transferência eram para Fortaleza, Belém ou Manaus. "Quando olhei no mapa, tive receio e acabei desistindo de uma carreira muito boa naquele tempo." Foi quando se formou em Economia e passou a desenvolver atividades autônomas. "Prestando serviços como economista, deixei definitivamente o serviço público e passei à iniciativa privada." Um dos grupos econômicos para os quais prestava serviço atuava em várias atividades, e um dos trabalhos que realizou foi na produção de sementes de girassol. "O meu primeiro contato com a agricultura foi na atividade da Secretaria de São Paulo, e com meu pai, naturalmente. Mas nessa fazenda que produzia girassol houve envolvimento mais direto, já que existiam plantações de café, algodão, amendoim, girassol, etc. Tive de aprender, porque eram deficitárias e era necessário torná-las lucrativas." A ligação com a agricultura e o espírito empreendedor voltaram a falar mais alto quando, na década de 1970, funda uma empresa de importação de máquinas agrícolas argentinas, começando a relação com o Ceará. "Com essas máquinas, introduzi a colheita mecanizada de amendoim no Brasil. Na Argentina, o terreno é plano, mas no interior de São Paulo é ondulado. Então, as máquinas argentinas tiveram de ser adaptadas ao nosso terreno. Acompanhei todo esse processo."

Oportunidade no Governo César Cals

O Ceará entra nessa história, como gosta de dizer Carlos Prado, por meio do surgimento das oportunidades: "Nós tínhamos as máquinas para a colheita de amendoim. Importadas, mas já adaptadas às condições brasileiras. O governador do estado, César Cals, iniciou um projeto de grandes plantios de cajueiro. Os técnicos descobriram que, enquanto a árvore crescia, era possível plantar outras culturas no meio, ajudando na renda do produtor. Foram feitos alguns testes e o amendoim foi a cultura que se adaptou melhor”.

Segundo o empresário, foram plantados, em 1973, 6 000 hectares de amendoim consorciado com cajueiros. “Quando chegou na hora de colher, as máquinas compradas não funcionaram, pois não eram apropriadas. Ao procurar uma solução, as empresas proprietárias dos cajueiros entraram em contato com a Secretaria de Agricultura de São Paulo, que nos indicou". Carlos Prado diz que seu primeiro contato telefônico no Ceará foi com o então secretário de agricultura, José Valdir Pessoa. "Comecei a ficar por dentro do problema e consciente de ter a solução. Quando terminamos a conversa, combinei uma viagem para o estado. Nunca tinha vindo ao Nordeste. Cheguei na madrugada do dia 1o  de julho de 1973 e, no mesmo dia, já fui ao campo.” Ele relata: “O quadro era difícil. Só que as pessoas não queriam adquirir máquinas, porque já tinham comprado e não dera certo. Então, o governo me perguntou o que poderia ser feito para resolver. Eu disse: mando uma máquina para cá, vocês pagam o frete; depois mando os técnicos para colocar a máquina para funcionar. Se ela resolver o problema, me proponho a alugar. Só que se eu alugo, não vendo mais."

Com o sucesso da empreitada, recebeu uma proposta do governador César Cals: "Ele queria aumentar o plantio de caju, e sabia que estávamos com o projeto de montar uma fábrica dessas máquinas em Presidente Prudente. Fez a proposta de trazermos a empresa para o Ceará. Fui pego de surpresa, porque estava tudo quase fechado em São Paulo. Pedi ao César Cals condições melhores. Quando terminou a conversa, o governador pegou o telefone e foi logo tomando as primeiras providências. Saí do encontro e liguei para a minha mulher, a fim de saber se ela gostaria de viver aqui. Veio e gostou".   No dia 13 de agosto, a Cemag estava constituída. Em janeiro de 1974, a primeira máquina recolhedora de amendoim, fabricada no Ceará, já realizava colheita em São Paulo. No ano seguinte, com agrônomos cearenses, Carlos Prado criou a Planagro – Planejamento Agropecuário Ltda., que plantou 2 000 hectares de amendoim, nos cajueirais da Maisa, em Mos­soró, no Rio Grande do Norte. Em 1975, dá início às atividades da Nagroar – Nordeste Aviação Agrícola, baseada em Fortaleza, que, com aviões agrícolas Ipanema, da Embraer, fazia pulverizações experimentais nos cajueirais em convênio com o Ministério da Agricultura, e ainda nos canaviais de Pernambuco e Alagoas e, em seguida, nos plantios de grãos do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Em 1976, começa a mecanização da colheita do feijão mulatinho, no Brasil, utilizando a mesma recolhedora de amendoim, então em fabricação e devidamente adaptada. Trabalho iniciado em parceria com o Centro Nacional do Arroz e Feijão, da Embrapa, em Goiás. Em 1977, inicia os trabalhos de desenvolvimento dos equipamentos para colheita de mandioca, destinada ao Programa Nacional do Álcool de Mandioca. Projeto frustrado, pois o governo federal o abandonou antes de sua conclusão. No mesmo ano, de forma pioneira, realiza as primeiras exportações de máquinas agrícolas  fabricadas no Nordeste, enviadas para a África. Em 1981, adquire a linha de fabricação de rotavato­res, roçadeiras, perfuradores de solo, capinadeiras mecânicas, da Howard Machinery, UK, que é transferida para a Cemag, em Fortaleza. Produzindo melão

A história da Itaueira começa com a cajucultura. De início, era um projeto pecuário de 10 000 hectares. "Nós chamamos para trabalhar conosco um agrônomo italiano que estava no Brasil há dez anos. Ele chegou no Ceará pelas mãos do saudoso Edson Queiroz. Veio e fez uma visita às suas fazendas. Quando já estava morando quase em definitivo, e em vias de trazer a mulher, aconteceu um acidente de avião, no qual Edson Queiroz foi vitimado. O projeto acabou indo por água abaixo”, conta Carlos Prado.

Ele diz que o agrônomo ficou sem emprego e sem perspectiva. Em contato com um amigo comum, Renato Massari, "conversamos 15 minutos e fizemos negócio". Conforme o empresário, a maturação do projeto foi lenta: “Inicialmente era um projeto da Sudene para a pecuária. Como o órgão mudou as regras dias antes da aprovação final, foi necessário buscar alternativas. Durante nove anos, pesquisamos soluções. Fizemos contrato de cooperação técnica com o Centro Nacional de Pesquisa do Caju, da Embrapa, então dirigido por João Pratagil Pereira de Araújo, com prazo de duração de dez anos, visando adaptar o caju anão precoce à região semiárida do centro-sul do Piauí.

Ao iniciar a produção, com base nas pesquisas do agrônomo Josivan Barbosa, ex-reitor da Ufersa-Mossoró, a Itaueira Agropecuária passou a embalar o caju anão precoce selecionado, e enviar aos mercados do Sudeste, em caminhões frigoríficos, de forma pioneira. Foi um sucesso! Foram alguns anos bons nessa atividade. Esta é a fase do caju, que durou de 1991 e 2002. Ao final do período, com a grande oferta de caju resfriado, os preços baixaram muito e a Itaueira suspendeu a atividade".

Em 1999, Carlos Matos, à época secretário de Agricultura Irrigada do Ceará, organizou uma missão a Israel para se conhecer a agricultura irrigada naquele país. A FIEC foi convidada a participar e o então presidente Fernando Cirino Gurgel enviou Carlos Prado como representante da entidade. Ao voltar, um cliente de São Paulo da Itaueira sugeriu ao empresário que tentasse plantar o melão amarelo. “Um melão com gosto de pepino, sem sabor algum, mas que, pela tecnologia que aplicávamos na cultura do caju, talvez fosse possível produzir uma fruta saborosa, o que seria um sucesso".  Ele, então, perguntou ao cliente, Sérgio Benassi,  se pagaria mais pelo produto. "Pago!, respondeu. Em 1999, começou o plantio do melão em Jaguaruana, sendo a área inicial de oito hectares, em parceria com Sílvio Ramalho Dantas e o agrônomo João José Brasil da Silva". A existência da internet possibilitou a acesso às fontes de tecnologia no exterior, para conhecer todas as novidades para o plantio irrigado, com o modelo que havia de mais moderno.

Mas para isso, relata o empresário, foram quatro anos trabalhando no prejuízo: "Continuamos porque sentimos que estávamos no caminho certo, e o caju fazia receita para sustentar a atividade". Hoje, de oito hectares, a Itaueira passou a mais de 2 000, com 1 200 empregados. Atuação institucional Há o momento de dar e o momento de receber. Você, de alguma forma, tem de devolver à sociedade aquilo que recebeu. Este é um ponto. O segundo é que o homem é um ser gregário. Necessita se relacionar no meio em que atua. Agora, em relação ao institucional, todos precisamos contribuir de alguma forma. É quase uma obrigação de quem está em uma atividade de empreendimento." A afirmação de Carlos Prado justifica a sua intensa atuação institucional, com a participação em vários fóruns (veja quadro na página 20). "Gosto da atividade, mas agora está demais", diz.

Atualmente, além de vice-presidente da FIEC, preside a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Fruticultura do Ministério da Agricultura e Pecuária e a Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); e é secretário executivo da Frente Parlamentar Mista da Fruticultura, no Congresso Nacional, presidida pelo deputado Antônio Balhmann. "Mas temos de dar oportunidade aos mais novos. A renovação é muito importante e precisa ser estimulada."

 É nesse contexto que Carlos Prado também teve atuação importante no trabalho de reforma dos estatutos da FIEC. "A Federação, liderada pelo presidente Roberto Macêdo, fez um esforço para uma maior participação do industrial na escolha dos seus dirigentes. Com isso, deu um exemplo à comunidade e à própria Confederação Nacional da Indústria (CNI) de como administrar de uma forma democrática, abrindo oportunidades. Este é o resultado da mudança estatutária de iniciativa de Roberto Macêdo", arremata Carlos Prado. Principais atividades institucionais Participante/fundador do Pacto de Cooperação do Ceará. Participante/fundador do Agropacto – Pacto de Cooperação da Agropecuária do Ceará. Membro do Conselho da Empresa Administradora da Zona de Processamento de Exportações do Pecém (EMAZP), agora ZPE-CE. Membro do Conselho da Moscamed – Juazeiro/BA. Em 1995, durante gestão de Fernando Cirino Gurgel na presidência da FIEC, liderou a criação do Trade Point do Ceará, como braço do Ministério de Relações Exteriores. Em 1998, o Trade Point foi transformado em Centro Internacional de Negócios (CIN), para desenvolver a cultura exportadora no Ceará. Em 2002, liderou a Plataforma Regional do Agronegócio do Caju, que abrangeu todo o Nordeste, e foi coordenada pela FIEC, quando presidente Jorge Parente, e Faec, com o então presidente José Ramos Torres de Melo Filho, com apoio do MCT e Embrapa. Em 2013, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12 834/2013, que autoriza a criação do Fundo de Apoio à Cultura do Caju (Funcaju), iniciativa da Plataforma acima. Em 2012/2013, colabora com a coordenação do Movimento Integra Brasil – O Nordeste no Brasil e no Mundo. Iniciativa do CIC, com apoio inicial da FIEC, já se consolida como um movimento dos setores produtivos do Nordeste.

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